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História do HGO

Hospital Garcia de Orta

O Hospital Garcia de Orta, EPE, é uma pessoa coletiva de direito público de natureza empresarial dotada de autonomia administrativa, financeira e patrimonial.

O HGO iniciou a sua atividade em Setembro de 1991, em substituição do antigo Hospital da Misericórdia de Almada/Hospital Distrital de Almada que entretanto deixara de conseguir dar resposta a uma população cada vez mais crescente da península de Setúbal e que assegurava apenas cuidados hospitalares básicos.

Em 2003, como consequência do seu desenvolvimento e grau de diferenciação criado, foi classificado como Hospital Central, o único na margem sul do Tejo, deixando de pertencer ao Setor Público Administrativo e passando para o Setor Empresarial do Estado, primeiro como sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos (SA) e mais tarde, a partir de 2006, como entidade pública empresarial (EPE), estatuto que mantém até hoje.

O HGO serve atualmente uma população estimada em cerca de 350 mil habitantes dos concelhos de Almada e Seixal, sendo que em algumas valências a sua zona de influência extravasa largamente estes dois concelhos, estendendo-se a toda a Península de Setúbal, nomeadamente nas áreas de especialidade de Neonatologia e Neurocirurgia.

O HGO dispõe de uma lotação de 596 camas, distribuídas por várias especialidades e Serviços de referência que apoiam regularmente outros hospitais como a Pediatria, Obstetrícia, Cirurgia Vascular, Cardiologia, Hematologia, Endocrinologia, Medicina Nuclear, Reumatologia, Ortopedia, Neurorradiologia, Nefrologia, entre outros. O Hospital conta atualmente com mais de 2800 funcionários.

O desenvolvimento gradual do Hospital e as necessidades assistenciais da população que serve, levaram o HGO a disponibilizar ao longo dos anos novos serviços como o transplante renal, a urgência polivalente para toda a Península de Setúbal, o apoio regular da especialidade de Neurocirurgia a vários hospitais do Sul do País e a Unidade de Cardiologia de Intervenção.

O Centro de Desenvolvimento da Criança, que entrou em funcionamento em 2007, é o único existente na zona Sul do País inserido no Serviço Nacional de Saúde e destina-se a crianças e jovens residentes na área de influência do Hospital com patologias neurológicas e do desenvolvimento.

PDF | Regulamento Interno

PDF | Certidão Permanente

 

Porquê Garcia de Orta?

Em 1989 foi decidido por portaria ministerial que o Hospital de Almada passasse a ser designado por Hospital Garcia de Orta, em homenagem ao notável médico, botânico e naturalista do séc. XVI com o mesmo nome.

Garcia de Orta nasceu em Castelo de Vide, onde efetuou os seus primeiros estudos. Desconhece-se a data precisa do seu nascimento, que deve porém situar-se na última década do século XV.

De ascendência hebraica, filho do hebreu espanhol Fernão de Orta e Leonor Gomes, frequentou as Universidades de Salamanca e de Alcalá de Henares, onde alcançou diplomas em Artes, Filosofia e Medicina. Em Alcalá fez ainda estudos de Botânica, uma cadeira que foi aí pela primeira vez lecionada na Península Ibérica.

Após ter exercido clínica em Castelo de Vide, Garcia de Orta é contratado em 1527 como professor pela Universidade de Lisboa, tendo sido igualmente médico da corte de D. João III. Sete anos mais tarde, em 1534, decide emigrar para Goa, aonde viria a desenvolver de forma decisiva os seus trabalhos de investigação. Pensava também encontrar na Índia Portuguesa maior sossego para si e para a sua família, numa altura em que a Inquisição incomodava fortemente os fiéis da religião hebraica, cuja fé Garcia de Orta professava.

Em Goa, onde viveu 34 anos, publicou, em 1563, a sua obra mais notável, “Colóquios dos Simples e Drogas da Índia”, que, segundo Luís de Camões, daria “na Medicina um novo lume”. Para Almeida Garret, “não é apenas um tratado de ciência, mas também um monumento da história da arte e da linguagem”.

Garcia de Orta faleceu em Goa em 1568, sem nunca ter tido diretamente problemas com a Inquisição, apesar de esta ter estabelecido um tribunal na Índia em 1565. No entanto, doze anos após a sua morte, em 1580, o Tribunal do Santo Ofício condena-o, post-mortem, pelo “crime de judaísmo” mandando desenterrar e queimar os seus ossos.

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